O escritor Criatovão Tezza coloca-se a ser lido a partir da sua intimidade, da sua história em ser pai de um filho portador de Síndrome de Down. Descreve o nascimento do filho como momento de ruptura na vida de um casal. O tempo todo Cristovão está a relacionar as lembranças do seu passado com a realidade de ser pai de Felipe, um sujeito trissômico (anomalia do cromossomo 21 que gera a Síndrome de Down). Sua dificuldade em lidar com esse fato o acompanha a todo momento, principalmente no que diz respeito à vida social. Teme em como esse filho ocupará o espaço de sua vida. E a criança o ocupa e o ocupará pelo resto da vida. Cristovão Tezza expõe, com uma linguagem vertiginosamente rica, desde o primeiro momento em que é informado pelo médico sobre o problema do seu filho, passando pelos diversos estágios em clínicas e consultórios médicos à procura de métodos e procedimentos a respeito; posteriormente, pelas escolas que Felipe frequentará até apreender que será através do futebol que seu filho irá atingir a socialização e a alfabetização e produzir a sua primeira metáfora, quando o pai narra o seguinte diálogo, no final do livro, sobre o jogo do Atlético Paranaense:
Felipe _ “Três a zero, só. Que tal?”
Pai _ “Tudo bem. Mas vai ser duro. Você está preparado?”
Felipe _ “Estou. Eu sou forte!” – Ele ergue o braço, punho fechado. ¬ _ “Nós vamos conseguir!”
Pai _ “Vamos ver se a gente ganha.”
O menino faz que sim, e completa, braço erguido, risada solta: Felipe _ Eles vão ver o que é bom prá tosse!”
O Filho Eterno, livro premiado em várias categorias, é a reordenação da vida de um pai paralelamente às questões que surgiram no caminho nestes 26 anos de Felipe. As experiências na adolescência desse pai; sua vida ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro; suas dificuldades de escritor quando já está com mais de 30 anos e alguns livros na gaveta; sua estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. Na teimosia de ser escritor, o leitor se depara com a ferrenha sustentação de um desejo, ao qual Cristovão Tezza não desiste – tornar-se escritor. Desejar é só o começo, mas não o ponto principal. Sustentar um desejo e assinar embaixo é o que se exige de alguém que quer ser um sujeito. Cristovão Tezza atinge esse ponto.
Detalhes sobre o livro:
“O Filho Eterno” – Romance brasileiro, 2.a ed, Ed. Record, RJ, 2007.
Autor: Cristovão Tezza, 1952 -.
Site: www.critovaotezza.com.br
E-mail: contato@cristovaotezza.com.br
Vencedor dos Prêmios:
- Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – melhor romance;
- Prêmio Jabuti – melhor romance;
- Prêmio Bravo! – Livro do Ano;
- Prêmio Portugal – Telecom de Literatura em Língua Portuguesa – 1. lugar;
- Prêmio São Paulo de Literatura 2008.
Sobre o autor:
Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952, mas mudou-se para Curitiba, Paraná, ainda criança.
É considerado um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Além de escritor, com mais de uma dezena de livros publicados, leciona na Universidade Federal do Paraná.
É autor, entre outros, de: Trapo, O Fantasma da Infância, Aventuras Provisórias, Breve espaço entre cor e sombra (Prêmio Machado de Assis/Biblioteca Nacional de melhor romance de 1998) e O Fotógrafo (Prêmio da Academia Brasileira de Letras e Bravo! – melhor romance do ano). a publicação deste O Filho Eterno marca seu retorno à Editora Record.

Capa do livro
Querida Lilian, peço perdão pela indelicada contra-crítca,mas se faz necessário. Soa mal dizer: ‘coloca-se a ser lido’, uma falha sonora na lingua que indispõe o leitor ao resto do texto. Está incorreto? Analise pela confusa construção. abraço
Comentário por Paulo Carvalho — 30 30UTC outubro 30UTC 2009 @ 5:58 pm |